terça-feira, dezembro 26, 2006

Um lapso de amor.


Ouvindo “I don´t blame you” – Cat Power - acendi um incenso e fui para o meu quarto. Me senti leve e realizada, com a sensação de que mais um ano havia se passado. Um flashback instantâneo cintilou entre os neurônios, bem mais rápido do que o preparo de um cup nuddles.
O curioso é que não escutava a música prestando atenção no significado das palavras, e sim na delicadeza das notas tocadas pelo músico ao piano e a sensação dócil das frases cantaroladas.
Me joguei na cama com os braços abertos, eu podia sentir o mundo. Uma sensação curiosa tomou conta de mim, deixando meu coração aos pulos. Fui tomada por um lapso de amor. Eu não tinha a noção exata em quem pensava, e também sabia que era melhor não me questionar, simplesmente curti aquele momento – aparentemente – bom de paixão, pois havia algo muito vivo dentro de mim. Vontades e anseios. De beijos, carinhos e abraços, nos amigos, na família, na flozinha e no cachorro.
Num mesmo instante, fui parar naquela praia que já estive e ainda vou. Andando ao seu lado, não precisava de mais nada. A barra do vestido branco esbarrava na água que ia e vinha sem se cansar. Não sabia dizer quem era a pessoa. Não parecia ter face, nome ou identidade. Era apenas alguém que me fazia bem. Que me acompanhava a troco somente da minha paz e felicidade.
Nada é sem sentido.
Engraçado é que ao mesmo tempo voltei e me vi girando em outros braços, como se nada mais existisse. Esses braços eu já conhecia fazia um tempo, assim como o contorno dos olhos puxadinhos.
Seria a mesma pessoa? Pessoas completamente diferentes? Lembrei imediatamente de meu pai, e de sua célebre frase: “o sentido só faz sentido quando é sentido”. Decidi que era melhor esperar para ver. Simplesmente viver para poder sentir, compreender e chegar à luz.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Augusto, Marieta e eu.

Conheci Marieta na missa de sétimo dia de meu pai. Eu tinha vinte e dois anos, ela usava um vestidinho preto arrochado que deixava os desenhos das coxas bem visíveis. Ela era sobrinha do marido de minha tia.
Marieta estava sentada na fileira da minha frente. Pude ver quando uma lágrima rolou pela sua face. Não entendi muito bem porque chorava, já que ela não tinha muito contato com minha família. Eu podia sentir o cheiro de sua colônia, mesmo estando um pouco distante. Suas costas e nuca tinham a pele macia, os cachos caiam pelos ombros em harmonia.
Na saída da igreja, a moça de no máximo dezenove anos puxou conversa comigo. Nos apaixonamos perdidamente naquela mesma noite, e nos casamos cinco meses depois no civil.

Dia 15 de março de 1968, Marieta estava na cozinha preparando os petiscos para a jogatina. Nosso casamento era invejado por todos os meus cinco amigos. Eu tinha uma mulher perfeita, quente quase em todas as noites, nada exibida e completamente apaixonada por mim. Discutimos poucas vezes, nos entendíamos muito bem. Ela não hesitava quanto o assunto era me agradar.
Uma vez por semana, eu e meus amigos do escritório nos reunimos aqui em casa para o jogo, longas conversas e muito whiski. Marieta sempre no fim da noite, cantarolava alguma canção sentada com suas pernas cruzadas sob a mesa. Tentávamos não nos envolver nos assuntos políticos e vivíamos entre o trabalho, as mulheres e a boemia.
- Marieta, mais uma garrafa e três copos - pedia Augusto enquanto a mulher corria para a cozinha.
- Vocês estão ficando muito mal acostumados – dizia ela trazendo o que foi pedido e se sentando em meu colo. - Sabe, é um prazer tê-los aqui em nossa casa. Já que não conseguimos ter a casa cheia dos filhos, é uma honra tê-la cheia de amigos como vocês.
- Ora, Marieta... Quem me dera se Carmen fosse tranqüila e divertida assim como você. Aquela mulher só sabe reclamar das minhas companhias – disse Augusto.
- Talvez correta fosse ela. Por ter esse tipo de postura, sou muito mal vista por muitas delas.
- Não mude, meu anjo – eu dizia à ela. – Quem é seu marido sou eu, e sou muito feliz por ter alguém como você ao meu lado.
A noite se foi como uma paixão juvenil. Os homens foram embora e eu carreguei Marieta para o quarto.

Na manhã seguinte, acordei e não a encontrei ao meu lado. Pensei que ela tivesse ido a feira. Preparei um café e fui ler o jornal. Percebi que no canto direito inferior da primeira página tinha um telefone, o nome de um hotel no centro da cidade com um horário. Ela tinha preparado uma surpresa para mim e faltava apenas quarenta minutos para o horário que ali estava escrito.
Arrumei-me rapidamente e fui encontra-la. Enquanto cruzava ruas e avenidas dentro de um táxi, fui tentando prever como ela estaria vestida, se estaria com alguma fantasia ou até mesmo sem nada, me esperando em cima da cama ainda fria.
Cheguei no hotel e disse o número do quarto e o nome de Marieta. O recepcionista me mandou subir. Entrei completamente afobado e me deparei com minha esposa completamente nua com uma venda em seus olhos. Nada disse. Apenas a peguei pelo braço com brutalidade, a joguei em cima da cama e fizemos tudo de um jeito que não fazíamos há muito. Não trocamos nenhuma palavra. Ela somente ria e se contorcia. Vesti-me como se nada tivesse ocorrido e saí daquele hotel me sentindo um outro homem. Eu tinha transado com a minha mulher, mas ao mesmo tempo, parecia que Marieta estava possuída, parecia que era outra pessoa.

Já no escritório, senti a falta do meu companheiro Augusto, qual nunca faltava. Recebi em seguida um telefonema. Augusto estava morto. O meu amigo de infância estava morto! Sua mulher, Carmem, descobriu que ele tinha uma amante e o envenenou durante o café da manhã, tomando a mesma dose de veneno em seguida. Uma verdadeira tragédia.
Larguei todos os afazeres do escritório, busquei Marieta e fomos todos preparar o enterro. Compramos melhores caixões e os arranjos mais caros de flores. Foi um dos momentos mais tristes de minha vida. Marieta estava estática. Parecia em estado de choque. Nenhuma lágrima rolava pelo seu rosto, me veio na cabeça a mesma cena da missa de sétimo dia de meu pai. Estranhava exatamente, por nessa ocasião ela conhecer bem o defunto e não soltar nem mesmo um suspiro.
Encerrada toda a cerimônia fúnebre, fui para a casa com a minha mulher. Eu nunca soube que Augusto mantinha casos extras conjugais. Nunca havíamos conversado sobre isso.
Marieta colocou sua camisola e foi dormir. Não me fez aquelas carícias rotineiras. Simplesmente virou-se para o lado e apagou. E eu, fiquei como um zumbi pela casa, lembrando de todos os momentos que tive com os meus amigos naquela sala, por todos os porres e festas particulares quando Marieta estava fora na casa dos pais.
Era triste, realmente muito triste. Estava completamente bêbado, jogado no sofá com um copo de whiski já aguado pelo gelo derretido quando notei uma agenda caída no chão da sala. Era a agendinha de compromissos de Marieta. Sabia que não era certo abrir, sempre respeitamos muito a privacidade um do outro, mas sem hesitar, abri e me deparei com algo muito curioso.

“Segunda feira – 15:30 – Luiz na minha cama.
Terça feira – 15:30 – Marcos no Hotel San Pierre.
Quarta – feira – 7:30 – Augusto no Hotel Plaza
Quinta – feira - 15:30 – Eduardo na minha cama novamente.
Sexta – feira – 16:30 – Pedro Antônio na cama dele”.


Eram todos os meus melhores amigos. Amigos do escritório. Amigos de jogatina. Amigo de whiski. Amigos de orgias. Puta merda. A filha da puta me traía semanalmente com todos eles. E o Augusto... Justamente hoje era para a filha da puta da Marieta dormir com o Augusto! Só que... Eu fui até lá, enquanto ele estava sendo envenenado pela esposa. Então... Marieta deveria estar completamente sem imaginar com quem transou!
Fui até o quarto devagar, sem fazer muito barulho e peguei uma mala. Coloquei cuidadosamente as roupas mais vulgares de Marieta e todas suas lingeries.
- Marieta, acorde! – a sacudi sem nenhum cuidado.
- O que houve meu amorzinho? – perguntava ela sem nada entender.
- Amorzinho? Vou te levar para um lugar onde você irá se identificar muito. Acho bom você ficar quieta, se não eu a mato.
Eu tinha uma arma escondida em cima do armário. Coloquei dentro das calças. Saí com Marieta de um lado e a mala do outro. A joguei dentro do porta malas sem explicações. Levei-a até a porta de um prostíbulo. Abri o porta malas, a peguei pelos cabelos.
- Quem sabe aqui você não possa atender melhor os seus clientes? – joguei a mala e a agenda e dei ombros.
Marieta estava em prantos. Chorava e perdia perdão incessantemente, segurando em minhas pernas. Era uma figura deplorável. Não senti nenhuma pena.
Fui dirigindo até a ponte mais próxima e olhando o caminho das águas, só um pensamento martelava em minha cabeça. Por causa daquela vadia, o meu amor de infância, o amor que eu nunca tinha tocado ou sentido com intenção, tinha sido assassinado. Vadia. Vadia.
Sendo assim, não tinha outra alternativa a não ser me jogar.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Clarice e sua companheira imaginária.

Preparei um jantar espetacular para o Mário. Arrumei a mesa, coloquei a melhor toalha. A casa estava bem arrumada, o vinho comprado, as flores vermelhas nos vasos. Todos os detalhes tinham sido pensados com cuidado por mim e por ela. Era preciso não deixar falhas.
Vinte para as dez. Fui para o banheiro, tirei a roupa e coloquei no cesto. Natasha ficou na porta me observando enquanto entrei para o banho e comecei a me ensaboar.
- Está feliz por hoje? – perguntou ela.
- Ah sim, muito... Espero que dê tudo certo para você.
- Já está dando, meu bem... Agora é só relaxar – ela entrou, tirou a calcinha e se sentou ao vaso.
- Você conferiu todos os itens daquela lista que fiz? – perguntei, ainda meio insegura.
- Não, e não é necessário. Eu tenho tudo de cabeça, qualquer coisa, se você esquecer de algo, eu digo em seu ouvido, aposto que ele não irá perceber – disse ela me olhando de relance – A propósito, está bem esbelta e bonita... O que tem feito? Será que estou como você?
- Provavelmente – disse rindo.
Natasha era a minha companheira imaginária. Andamos juntas há mais de dez anos. Ela apareceu pela primeira vez para mim, na noite em que perdi a minha virgindade. Estava triste quando ela me disse que eu ainda iria ter muitas noites de amor em minha vida, que não era pra me decepcionar tão cedo.
Me chamo Clarice, tenho vinte e sete anos, solteira e bem sucedida profissionalmente. Lidar com Natasha foi um pouco complicado no começo... Afinal, ninguém a via além de mim. Porém, com o passar do tempo, aprendi a me comportar com ela em público.
Não me sinto tão sozinha, porque minha amiga não me abandona um só segundo. Dormimos lado a lado e acordamos também. Ela me disse que não tem vontade de viver uma vida própria, que já se sente muito feliz ao me assistir a viver.
Natasha é idêntica a mim fisicamente. O mesmo tamanho de busto e quadril, cabelos negros levemente cacheados e um sorriso encantador, mas temos personalidades opostas. Ela é atrevida, sensual e louca por qualquer vestígio de testosterona. Eu sou bem mais recatada, uso roupas de tons bege e não tento forçar nenhuma sensualidade.
Talvez por isso, eu tenha sido um fracasso em todas as minhas relações. Se eu pelo menos tivesse um terço de Natasha, aquela malícia... Talvez as coisas seguissem um outro rumo.

Estava tudo certo, só faltava o indivíduo chegar. Enquanto isso, bebi um pouco com ela enquanto ouvíamos uma velha bossa.
- Preparou a droga? – perguntei.
- Sim, está ali perto da garrafa de vinho – disse ela.
A campainha tocou, Natasha ficou aparentemente ansiosa e se moveu para um canto escuro da sala, eu fui recebe-lo.
- Nossa, como você está linda! – dizia ele.
- Gentileza sua...
O jantar estava divino. Ele se deleitou, bebeu quase a garrafa inteira, e em uma das taças, já estava o “boa noite Cinderela”.
- Que vinho espetacular, Clarice! Vou comprar um desse para mim... – dizia ele ainda sem se abater com o efeito da substância.
- É maravilhoso mesmo, indicação de uma amiga...
Mário se aproximou de mim inesperadamente. Olhou dentro de meus olhos e me pegou pela nuca. Deu-me beijo na boca, daqueles bem grudados e começou a beijar o meu pescoço. Eu não estava bem, me sentia mal por Natasha estar ali assistindo, porém eu também queria ter até o controle da situação de leva-lo para cama, não queria ser levada, como sempre fui.
Logo ele praticamente desmaiou. O boa noite Cinderela tinha feito efeito. Comecei a sentir um pouco de remorso antes mesmo do fato se suceder.
Arrastamos ele até a minha suíte, o colocamos em minha cama e pegamos a corda. Amarramos os pulsos e os pés, e tapamos a boca também, para que os vizinhos não ouvissem caso ele tivesse alguma reação.
Natasha estava eufórica. Usava um vestido vermelho decotado, digno de deixar qualquer homem à flor da pele.
- Ele é todo seu, Natasha – disse saindo de perto.
Aquilo tudo começou a parecer um tanto quanto sórdido e esquisito para mim. Convidei o cara por quem estava apaixonada para jantar comigo, o seduzi sem muitos artefatos, e o dopei para minha companheira imaginária poder ter uma noite de prazer.
Me sentei na cadeira de canto e de protagonista de minha vida, passei a telespectadora. Natasha tirou o vestido lentamente, começou a desabotoar a blusa de Mário. Percebi que ela já estava sem calcinha.
Senti um forte aperto no peito, uma raiva incontrolável. Pulei em cima de Natasha, enchendo-a de tapas na cara.
- Está louca, mulher? – perguntava ela surpresa. – O que deu em você?
- Eu não quero ver isso, sua maníaca! Isso é pura humilhação!
- Como assim?! Não quer assistir? Vai procurar alguma coisa para fazer então, sua fraca.
- Fraca? – fui para cima dela puxando seu cabelo. - Fraca é você, que precisa da minha ajuda para conseguir alguém para ter prazer! É tão esperta, linda e sedutora, mas não tem a capacidade de seduzir alguém de verdade, já que ninguém consegue te ver além de mim!
A vadia caiu em lágrimas. Sem muito pensar, a puxei pelos braços como uma devassa e a levei para o banheiro, lá a tranquei. No quarto desamarrei Mário, e com a mesma corda, amarrei Natasha por completa.
Senti um alívio instantâneo e uma sensação de alegria inexplicável! Tive a sensação de que a partir daquele momento, poderia viver minha vida em paz sem palpites diários de uma cópia pervertida de mim.
Vesti Mário cuidadosamente e o cobri com uma colcha, peguei a camisola mais sexy que eu tinha dentro do armário e me deitei ao seu lado. Fiquei observando os traços de sua boca, o contorno de seus olhos. Senti uma profunda afeição por ele, acompanhado por um pouco de culpa. Logo acabei dormindo.

- Clarice? – alguém me chamava incessantemente. – Acorde... Por favor.
Mário estava há um palmo de distância de meu rosto me acordando de um jeito tão lindo, que tive preguiça até de abrir os olhos, queria ficar ouvindo aquela voz tentando me acordar.
- O que houve, Mário? – perguntei me sentando na cama.
- Eu que te pergunto... Minha cabeça está doendo tanto. O que aconteceu ontem à noite?
Pensei rapidamente em uma desculpa.
- Bom, bebemos muito daquele vinho... Você acabou dormindo lá na sala, acho que seu organismo estava meio fraco para álcool ontem.
- É, isso as vezes acontece mesmo... Espero não ter te dado trabalho.
- Não, que isso... – disse sorrindo. – Foi um prazer cuidar de você.
Alguma coisa estava mudada dentro de mim. Me sentia mais segura e naturalmente sensual por estar com uma camisolinha fina e com o rosto de quem acabou de acordar – eu adoro o meu rosto quando eu acordo.
Nos olhamos por um instante de alguma forma diferente. Eu fui sem medo para cima dele. A camisola aos poucos se diluiu entre os dedos, mãos e desejos. Não sei explicar o que deu em mim, me sentia simplesmente linda, leve e solta entre os movimentos de encontro e reencontro dos corpos.
- Clarice, aonde aprendeu isso? – ele estava perplexo.
- Essa é só uma das de mim... – disse brincando com ele.
- Nossa, assim eu já fico curioso para saber quem são as outras.

Me levantei com uma paz de espírito tomando conta de todo o meu ser. Abri a porta do banheiro para tomar uma ducha e percebi que Natasha não estava mais por ali. Não havia nenhum rastro de que ela havia existido. Não me surpreendi, eu sabia que já era hora.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


Partiu?!
Atenção povo, atenção!
Venho por meio desta convidá-lo a me assistir no Teatro Municipal de Macaé no dia 20 de Dezembro - próxima quarta - feira.
Irei apresentar uma peça chamada "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", de Ferreira Gullar, adaptação e direção de Roberto Martins.
Horário:
18:30
ou
20:30
Fica a seu critério escolher o melhor horário.
Ingresso: 1 kg de alimento não perecível por pessoa!
Ficarei muito feliz em vê-lo!
ELENCO: Turma do pré –técnico de teatro do Roberto Martins.
(Rhaiza Fracassi, Thalita Arantes, Maya Grey, Pilar Ramos, Rahael Miranda, Raissa Toro, Beatriz Bento, Tays ayer, Nina Maria, Pablo Henrique de Souza ,Sabrina Soares, Paulo Cezar Barbeto ,Evelyn Mello, Valeria Lima, Viviane Santos, Manuela Oliveira e Robson Pimenteu).

"Sem dúvida, uma ótima pedida para quem se identifica com o lado poético, sarcástico e humorístico".

Sinopse:
Utilizando um herói popular tipicamente brasileiro, e principalmente pelas ferramentas fantásticas como o humor e a comédia, o texto procura diversificar os palavreados do universo popular, exprimindo idéias e sentimentos contraditórios.
A atmosfera teatral criada é para falar de Roque, um cabra esperto, pobre e safo, que não mede esforços – sendo lícitos ou não – para conquistar o desejado e até mesmo a sua amada Mocinha.
O que o torna claramente atrativo é a sua posição social complicada e todas as peripécias que se envolve ao longo da história em companhia de seu amigo Brás, um “valente disfarçado”.
O contraste entre as situações sociais leva o público a perceber os enganos corriqueiros, corrupções, padrões de comportamento, piada dos costumes e quebra de valores enfaticamente nas figuras de Coronel, Rosinha, Cabo Joca, Bizuza e Furtado.
“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” é um texto de Ferreira Gullar, adaptado e dirigido por Roberto Martins.

Nina Maria

terça-feira, dezembro 12, 2006

'Ah, foi coisa da juventude!'






Pxxx...





Venho por meio desta não só apresentar uma defesa às princesinhas do pop. Se você estiver sem saco de ler – ou achar um tema fútil demais perante ao seu espírito cult - , faça o favor de acompanhar apenas até o ponto final dessa frase.
É notório observar que nos últimos tempos, o foco de todas as lentes dos paparazzis estão sob o novo trio de melhores amigas: Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan.
Os tablóides americanos – e conseqüentemente, mundiais – a cada dia lançam manchetes inquietantes nas páginas de Internet. Os fuxiqueiros de plantão colocam a reputação das moças em risco.
Fotos de Britney pagando calcinha, foto da mesma sem calcinha na balada, foto de Paris beijando uma apresentadora de tv, entre outras peripécias estão rendendo comentários em Hollywood – e conseqüentemente, favorecendo a mídia.
Portanto, apresento aqui as minhas teorias. Não tenho nenhum parentesco com as meninas, e muito menos sou fã de carteirinha de alguma delas, porém, também sou jovem – e até parece que você não sabe como é isso.
Elas são lindas, bem tratadas e ricas. Onde mais poderiam gastar dinheiro se não fosse na balada?

Não posso colocar a minha mão no fogo e dizer que tudo foi um grande mal entendido, é bem provável que essa tenha sido a maneira de realmente chamar atenção da mídia e simplesmente “causar”.
Outros artistas de Hollywood procuram outros meios de atrair as lentes: vão para África trabalhar, doam quantias significativas para projetos e incentivam campanhas. Cada um dá o seu jeito.
Porém, não podemos descartar a hipótese de que talvez, as moças estejam apenas passando por situações embaraçosas consecutivas. Como mulher, posso dizer que o vestido poderia estar apertado, e simplesmente com o balanço dos quadris na balada, a calcinha apareceu.
Sobre a foto de Britney sem calcinha, penso que ela poderia estar em um dia de problemas estomacais e preferiu tirá-la a ficar com ela suja. Quanto ao fato de Paris ter beijado ou não a apresentadora, eu realmente não posso opinar, já que eu não estava lá ao lado delas para ver – e creio que isso, se for verdade, pode não alterar o caráter dela como pessoa.
Enfim, existem coisas mais importantes para nos preocuparmos – como por exemplo, o meu almoço que pretendo preparar depois que eu terminar isso aqui.
Deixemos as meninas serem felizes, afinal, elas são – aparentemente - livres, desimpedidas, e ricas, podendo processar qualquer um que abusar demais da paciência delas. O que demonstra isso é a camisa que Britney parece ter usado em uma das saídas com a amiga Hilton: “_ I'm Paris Hilton, I can do whatever I want” – Sentiu? Não fotografe Britney ou Paris fazendo xixi em um lugar público se você as encontrar.
Quando chegarem aos quarenta, apenas irão dizer naqueles programas gringos de auditório:
"_ Ah, foi coisa da juventude!"
Essa frase justifica tanta coisa... Justifica até mesmo os ex esquerdistas, que chegam aos quarenta sendo completamente de direita.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Eu-música!


Estava eu num pub com duas amigas. Petiscos, ambiente aconchegante e acolhedor. Porém, não sentia-me completa. Alguma coisa estava faltando. Sensação de falta em pleno sábado a noite é como beber cerveja quente num dia de verão.
Passei a me questionar interiormente o que acontecia comigo. Não tinha a mínima noção do que acontecia. Olhei ao meu redor, olhei para mim.
De repente, quando eu menos esperava, escutei o músico tocar aquela música... A música que eu sabia reconhecer desde os primeiros acordes dedilhados.
Quase no mesmo instante, o ritmo começou a me enlouquecer aos poucos, a melodia entrou pelos meus poros como um entorpecente. Afecções, sensações indescritíveis, adrenalina!
Abri os braços lentamente, só conseguia ouvir as vibrações positivas me dizendo:
- Venha conosco, é só se permitir!
Minhas mãos se mexeram devagar pelo ar, meus olhinhos relaxados se fechavam meio que sem controle. Risos e sorrisos emergiam de dentro para fora! Endorfina. Podia perceber a paz, tranqüilidade e puras transcendências de mim. Compus ali o presente que não existia! O segundo que já ia...
Eu tinha sido absorvida pela música. Por melodia grandiosa e contagiante, pelo batuque ao fundo, quais foram sugados por toda minha percepção e sentidos! Detalhe grande como o garçom provavelmente me observando, julgando como louca – ou bêbada, apesar de estar totalmente sóbria – era completamente ínfimo. Só conseguia aproveitar e enfatizar as sensações que pulsavam. Eu-música. Eu-universos.
Como o simples fato de escutar uma música familiar num momento de vazio poderia ter gerado tamanha eclosão de idéias e sentimentos, reformulando o todo? Nunca ninguém tinha a escutado – e nem eu mesma – daquela forma.
Eu tive um encontro com ela, praticamente íntimo! Alguma coisa aconteceu por ali. Alguma coisa que me motivou ao longo da semana, que me deu inúmeras potências para as atividades
cotidianas, e sem dúvida, me afetou de tal forma que gerou ‘atos criativos’.


Ah...
Fiz um blog latino =X

http://www.clubcultura.com/blogs/967/ninamaria__2384_.html

segunda-feira, dezembro 04, 2006







Meninando.

Encontrei essa foto, antes perdida pelo tempo.
Descobri que ainda vive uma menina das de mim.
Um pouco esquecida pelo presente,
porém ali, ainda sobrevivente.
Jamais a mesma - ainda bem -
é muito chato não mudar.

Transformada e passada à limpo!
Essa das de mim, hoje é riso, calmaria e desejo.
Amanhã, talvez filhos e pertinência.
Mas não quero endurecer.
Quero poder compor e rever,
para não cansar de mim mesma!
Afinal, fui destinada a andar comigo sempre.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Déjà vu.

Acordei com o canto dos passarinhos. A noite passada tinha sido bem fria, tivemos sorte por termos ido bem preparados para acampar. Espreguicei-me, troquei de roupa e deixei ele e Clarinha dormindo.
Saí da barraca sem fazer muito barulho. Acendi um incenso e coloquei na porta. Coloquei os chinelos e fui dar uma volta pelo camping. O dia estava lindo, um céu azul estonteante, aquele típico cheiro de mato que sempre me deixou tão bem.
Desci pela pequena escada de pedra, deixei a roupa, os chinelos e mergulhei. A frieza e pressão das águas nos meus ouvidos somados à todos os seus barulhos, me relaxavam completamente. Fiquei ali de bobeira, a observar o caminho delas.
Num instante, voltei treze anos atrás. Estava ali no mesmo lugar, porém com dezoito. Tantos acampamentos naquela cidadezinha... Lembrei de todos os perrengues que tinha passado. Dos dias que comi apenas macarrão para economizar, das vezes que vi coisas estranhas pelo ar, pelos momentos inexplicáveis.
Lembrei da Ninoca, já que tinha curtido demais com ela ali. Os malabarismos na praça, as bebedeiras, as ‘brechas’ e músicas... E da Ana também. Faziam duas semanas que eu não as via, a última vez tinha sido lá em casa, num jantarzinho que fiz para os casais. Ali, no Sana, ouvi Jorge de Capadócia’, e me apaixonei.
Logo lembrei de quando viajei somente com os meninos, na festa daquela cidade. Passei um frio danado na barraca e tive que dormir de calça jeans. O mais engraçado foi a conversa filosófica - existencialista que tive com Guilherme, de madrugada.
Num mesmo instante, lembrei da Mari. Com ela a viagem foi muito diferente. Talvez isso tenha acontecido, pois não fiquei no camping que eu estava acostumada, por talvez também ter conhecido pessoas tão únicas. Raul, Gabi, Bia, Paulinha. Talvez por ter dançado forró até o amanhecer. Aquela vez foi simplesmente mágica, tantas fotografias.
A menina de mim estava com trinta e poucos anos, com uma pequena tão preciosa e um companheiro. Aquela felicidade que as vezes vem do nada, pairou sobre o meu espírito. Me senti plena e tão tranqüila. O que mais eu poderia querer da vida? Escutei passos por perto, logo ouvi como uma melodia...
_ Mamãe! – era a pequena com seu vestidinho verde de mãos dadas com o meu lindo. - Também quero entrar na água.