sexta-feira, dezembro 01, 2006

Déjà vu.

Acordei com o canto dos passarinhos. A noite passada tinha sido bem fria, tivemos sorte por termos ido bem preparados para acampar. Espreguicei-me, troquei de roupa e deixei ele e Clarinha dormindo.
Saí da barraca sem fazer muito barulho. Acendi um incenso e coloquei na porta. Coloquei os chinelos e fui dar uma volta pelo camping. O dia estava lindo, um céu azul estonteante, aquele típico cheiro de mato que sempre me deixou tão bem.
Desci pela pequena escada de pedra, deixei a roupa, os chinelos e mergulhei. A frieza e pressão das águas nos meus ouvidos somados à todos os seus barulhos, me relaxavam completamente. Fiquei ali de bobeira, a observar o caminho delas.
Num instante, voltei treze anos atrás. Estava ali no mesmo lugar, porém com dezoito. Tantos acampamentos naquela cidadezinha... Lembrei de todos os perrengues que tinha passado. Dos dias que comi apenas macarrão para economizar, das vezes que vi coisas estranhas pelo ar, pelos momentos inexplicáveis.
Lembrei da Ninoca, já que tinha curtido demais com ela ali. Os malabarismos na praça, as bebedeiras, as ‘brechas’ e músicas... E da Ana também. Faziam duas semanas que eu não as via, a última vez tinha sido lá em casa, num jantarzinho que fiz para os casais. Ali, no Sana, ouvi Jorge de Capadócia’, e me apaixonei.
Logo lembrei de quando viajei somente com os meninos, na festa daquela cidade. Passei um frio danado na barraca e tive que dormir de calça jeans. O mais engraçado foi a conversa filosófica - existencialista que tive com Guilherme, de madrugada.
Num mesmo instante, lembrei da Mari. Com ela a viagem foi muito diferente. Talvez isso tenha acontecido, pois não fiquei no camping que eu estava acostumada, por talvez também ter conhecido pessoas tão únicas. Raul, Gabi, Bia, Paulinha. Talvez por ter dançado forró até o amanhecer. Aquela vez foi simplesmente mágica, tantas fotografias.
A menina de mim estava com trinta e poucos anos, com uma pequena tão preciosa e um companheiro. Aquela felicidade que as vezes vem do nada, pairou sobre o meu espírito. Me senti plena e tão tranqüila. O que mais eu poderia querer da vida? Escutei passos por perto, logo ouvi como uma melodia...
_ Mamãe! – era a pequena com seu vestidinho verde de mãos dadas com o meu lindo. - Também quero entrar na água.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Cachoeiras, matas, calmaria... Sana!... Lugar perfeito para nos desligar da correria do dia-a-dia e fundir o tempo cronológico da humanidade ao nosso tempo psicológico. Trazer-nos à tona, nesse sentido, lembranças... déjà vus eternos de nossa memória!...

Bjus!

9:45 PM  
Anonymous Anônimo said...

Projeção nostálgica ^^

Dispenso os incensos (você já sabe disso).

Quando eu fui ao Sana choveu granizo.
Nada que mereça ser lembrado daqui a treze anos: memórias melhores virão!

11:38 PM  
Anonymous Anônimo said...

Nina...
que lindo!
ahuhaoiuhuiahuauihiuahiua
Pelo "ele e Clarinha" e o título... eu já imaginei quem fossem os dois..
huahuiohuihaiuoahuiahiuaha
Fico impressionada com a sua capacidade de criar histórias, situações.. é um dom.
O jantarzinho para os casais foi engraçado..
hauioiauhuihaiuohau
imagina isso..
Sabe o que me lembra? aquela peça que a gente fez.. "lembranças de uma eterna amizade" lembra??
hahaha
Lembrei agora tb da gente indo do centro.. vc pra sua casa e eu pro castelo... e a gente foi nostalgiando o passado, pensando no futuro.
Um tanto complexo isso tudo, mas acontece.
=P
"Jorge de Capadócia"... Um som apaixonante...
Tá.. agora esse tb me lembra eu, vc e Ninoca na Estação Carioca....
Saudades dela, saudades de você. =S
Mas tudo anda taaaao corrido..
¬¬
Calma... já estou entrando de fértias! o/ falta pouquíssimo!!


Bjão!
=******

1:03 PM  

Postar um comentário

<< Home