A moça e os desejos
Similar a um tufão em alto mar, a vi nadando num horizonte de incertezas. Ondas fortes, grandes e revoltas, adocicadas por pura inverossimilhança. As pernas adormeciam, os braços se cansavam. A moça precisava alcançar qualquer superfície sólida.
Por tanto relutar em meio à loucura do mar, exausta, ficou submersa a contemplar o azul anil do céu, era mais fácil boiar.
Ninguém sabia que ela estava perdida além dela mesma. Se morresse, jamais encontrariam o seu corpo. Era preciso esperar ou morrer nadando.
Até que de tanto esperar, de perder da noção do tempo, avistou um pequeno barco solitário. Tão perdido quanto ela em tamanha imensidão. Nadou lentamente, agora sentindo a calmaria. Pegou impulso e firmou bem os pezinhos dentro dele, percebendo o quão frágil era sua estrutura.
Passou a pontinha do dedo na vela do barquinho e inexplicavelmente, sentiu a textura fria se derreter entre os seus dedos. Tentou o mesmo com o chão do barquinho, e a cor vívida do marrom grudou em suas mãos. Era tinta, tinta fresca.
A moça sentiu medo, por instantes, do barquinho se dissolver completamente na superfície da água, porém, percebeu em seguida que aquela água em que nadava era uma simples mistura de tons azuis e verdes.
Algumas lágrimas rolaram pela sua face devido ao desespero do efêmero. Pode perceber que suas lágrimas eram feitas de água pelo seu sabor, no entanto, ao passar a mão pelo rosto, sentiu também um pouco de sua pele marcar suas mãos.
Não compreendia o que estava acontecendo. Tentava de qualquer maneira entender o porquê de tudo estar com uma conotação pinturesca, levando-a a pensamentos completamente pitorescos a respeito de sua realidade.
Observando o céu, percebia o quão solitária estava. Só queria gaivotas a voar e poder contemplar aquela sina de pescar.
Parecendo mais um feito divino – ou ironia do destino -, gaivotas surgiram no horizonte, marcando o céu azul com o movimento de suas asas, deixando um pouco de tinta para trás.
A moça sentiu extrema alegria. Não estava completamente sozinha, sentia a vida pulsar nas gaivotas leves. E exatamente por estar tomada por aquela excitação da felicidade, notou que o céu ficara mais iluminado e bonito. Alguma coisa de muito curiosa estava acontecendo e ela podia intuir.
Fechou os olhos rapidamente e buscou todos os sentimentos de tristezas e dores possíveis, logo, ao erguer suas pálpebras, o ambiente estava completamente inóspito, assustador.
Assim, começa a reinventar todos os seus desejos para desfruta-los. É tomada por um sentimento de ansiedade e decide uma praia desejar, uma casa para morar e um cachorro para cuidar. Decide ser real, não mais de tinta, e sim de carne e osso. Humana.
Seus desejos vão surgindo até sentir seu coração palpitar verdadeiramente dentro de si mesma, abandonando por completo a textura pinturesca.
Por tanto relutar em meio à loucura do mar, exausta, ficou submersa a contemplar o azul anil do céu, era mais fácil boiar.
Ninguém sabia que ela estava perdida além dela mesma. Se morresse, jamais encontrariam o seu corpo. Era preciso esperar ou morrer nadando.
Até que de tanto esperar, de perder da noção do tempo, avistou um pequeno barco solitário. Tão perdido quanto ela em tamanha imensidão. Nadou lentamente, agora sentindo a calmaria. Pegou impulso e firmou bem os pezinhos dentro dele, percebendo o quão frágil era sua estrutura.
Passou a pontinha do dedo na vela do barquinho e inexplicavelmente, sentiu a textura fria se derreter entre os seus dedos. Tentou o mesmo com o chão do barquinho, e a cor vívida do marrom grudou em suas mãos. Era tinta, tinta fresca.
A moça sentiu medo, por instantes, do barquinho se dissolver completamente na superfície da água, porém, percebeu em seguida que aquela água em que nadava era uma simples mistura de tons azuis e verdes.
Algumas lágrimas rolaram pela sua face devido ao desespero do efêmero. Pode perceber que suas lágrimas eram feitas de água pelo seu sabor, no entanto, ao passar a mão pelo rosto, sentiu também um pouco de sua pele marcar suas mãos.
Não compreendia o que estava acontecendo. Tentava de qualquer maneira entender o porquê de tudo estar com uma conotação pinturesca, levando-a a pensamentos completamente pitorescos a respeito de sua realidade.
Observando o céu, percebia o quão solitária estava. Só queria gaivotas a voar e poder contemplar aquela sina de pescar.
Parecendo mais um feito divino – ou ironia do destino -, gaivotas surgiram no horizonte, marcando o céu azul com o movimento de suas asas, deixando um pouco de tinta para trás.
A moça sentiu extrema alegria. Não estava completamente sozinha, sentia a vida pulsar nas gaivotas leves. E exatamente por estar tomada por aquela excitação da felicidade, notou que o céu ficara mais iluminado e bonito. Alguma coisa de muito curiosa estava acontecendo e ela podia intuir.
Fechou os olhos rapidamente e buscou todos os sentimentos de tristezas e dores possíveis, logo, ao erguer suas pálpebras, o ambiente estava completamente inóspito, assustador.
Assim, começa a reinventar todos os seus desejos para desfruta-los. É tomada por um sentimento de ansiedade e decide uma praia desejar, uma casa para morar e um cachorro para cuidar. Decide ser real, não mais de tinta, e sim de carne e osso. Humana.
Seus desejos vão surgindo até sentir seu coração palpitar verdadeiramente dentro de si mesma, abandonando por completo a textura pinturesca.
Andando pela areia, com o barquinho atracado, agora de madeira, percebe que só faltava um amor, um amante. E de olhos muito abertos para poder apreciar o momento da criação e existência do tão esperado ser, deseja com todo o seu coração. No entanto, a somente ouvir o barulho dos ventos em seus ouvidos, jamais escutou a voz de seu amante. Pertencia agora à realidade, onde os desejos não mais obedeciam ao seu bel-prazer.
3 Comments:
Este lembra-me o texto da mulher desaparecida - que ficou bastante interessante também.
Inverossimilhanças são sempre interessantes, e freqüentemente mais vero que invero.
É, amor de realidade é bem melhor que amor de imaginação! Por vezes não tão idealizado, por vezes melhor, mas sempre com surpresas e coisas novas!Acho que a moça escolheu bem o que "não" imaginar! Resta saber se ela encontrará alguém a quem cantar "A Waltz for a night".
Encontrou.
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