quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Eu já não sou o que eu era.



foto: eu neném.

Já dizia Heráclito (filósofo pré-socrático) que não se entra num rio duas vezes. As margens podem ser as mesmas, porém as águas que ali passam, jamais serão.
Heráclito também ficou conhecido pelo conceito filosófico “devir” – que qualifica mudança constante -.
Definitivamente, eu já não sou o que eu era - e ainda bem -. Prestes a completar dezenove anos percebo o quanto tudo se transformou... A textura dos cabelos, as formas do corpo, o olhar. Os sentimentos, pensamentos, conceitos e até várias “verdades absolutas”. O cabelo foi cortado de várias formas diferentes, o gosto pela roupa mudou constantemente, escuto o que nem conhecia algum tempo atrás...
Não me sinto somente nostálgica, também otimista. Perceber que a vida é constante movimento me dá a sensação de que não preciso ter muito o que temer. Tudo tem a sua hora, o seu momento, e tudo também pode mudar a qualquer momento.
Como observou bem Lavoisier com a frase “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" penso em quantas pessoas passaram pela minha vida. Umas passaram de fininho, outras de ladinho. Outras vieram ao meu encontro de braços abertos, deixando palavras inesquecíveis, marcando encontros rotineiros com muita luz e presença, simplesmente por existirem... Algumas eu entreguei meu sentimento, outras nem mesmo um sorriso. Independente de qual papel tenham exercido, todas foram fundamentais, fizeram e fazem parte de mim, parte do que hoje sou. Nada foi em vão, tudo se transformou.
E que continue se transformando, pois o tempo? “O tempo não pára” e não se sabe quando ele pode parar para algum de nós.
Com todo o tempo que passou, fico triste somente com uma coisa. A capacidade que as pessoas tem de julgar, inclusive eu também o faço em muitos momentos. Observamos atitudes, palavras soltas e comportamentos como se pudéssemos e fossemos exemplo de vida para julgar alguém. Quanto tempo perdido. Tempo em que se podia estar dando um beijo gostoso, trocando experiências construtivas ou simplesmente ficando em silêncio, porque ele também faz bem.
Pode parecer clichê, coisa de hippie ou sei lá mais o que... Mas o que eu levo disso tudo é o sentimento de que não temos o direito de destruir a potência e capacidades dos outros. Querer premeditar o futuro alheio apenas pelo o que achamos ver hoje. Determinar alguém em uma simples frase, ou até mesmo em uma palavra.A mudança é constante, muitas vezes repentina. Reconhecer as qualidades, pelo menos respeitar as diferenças, e perceber que qualquer um de nós está disperso no universo, pode ser um bom caminho para compreendermos nossos constantes movimentos.

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Sabe quando você lê um texto e fica tão boquiaberta que não sabe nem o que comentar? Mas também se acha na obrigação de dizer alguma coisa, porque um desses não pode passar batido... sabe?

É assim que me sinto!

Acho que tudo o que você falou ali demonstra exatamente o que é a vida.
O encontro das pessoas... suas relações.
É, tem a ver com minha teoria do bumerang mesmo!
hahahaha

Uma das partes mais importantes desse texto é o final, onde vc fala sobre o julgamento.

Realmente é incrível o poder que as pessoas têm de julgar as outras.
E julgar errôneamente, na maioria das vezes.

Nina, parabéns mesmo pelo texto!

Bjãaao!
=*******

loviuuuu!!
x)

E você passou.. e permanece de forma intensa na minha vida!
=D

12:51 PM  
Anonymous Anônimo said...

Mudanças demais.
Prefiro ser a margem, ficar a margem, marginalizar-me enquanto os outros competem pelo leito - sobre julgar, um lusa dessassogado já comentou sobre isso: "Tudo que sabemos é uma impressão nossa, e tudo que somos é uma impressão alheia,"

12:59 PM  
Blogger Unknown said...

"Reconhecer as qualidades, pelo menos respeitar as diferenças, e perceber que qualquer um de nós está disperso no universo, pode ser um bom caminho para compreendermos nossos constantes movimentos." isso eh mt bom!
foi a filosofia de vida q tomei para mim..compreensão, eu procuro entender o pq das coisas a minha volta, e de todas atitudes tomadas por qm estar a minha volta, e assim vc entende melhor o ser humano e aceita as coisas e caminha para uma vida mais trankila, conseguindo vc msm adiminstrar seus problemas suas duvidas e questionamentos, e relacionar-se melhor com as pessoas, logico q vc tbm erra e as vzs não há qm compreenda certas coisas..mas vc está no caminho certo....bjão nina!

2:15 PM  
Blogger Alexandre Casimiro said...

Minha querida Nina Maria,

Reservo-me o direito deste comentário pela assertiva e tão feliz conclusão que chegaste neste texto...
Certa vez li num texto do Artur da Távola que a distância esgarça os relacionamentos e que viver é esgarçar-se...

Não sei se concordo muito com ele, pois o maior dom que temos é o arbítrio de nossas ações. Esgarçar pressupõe, antes de tudo, ratificar que nada é tão duradouro quanto parece, e, de fato a vida o é; contudo, os sentimentos que levamos conosco, seja aqui ou para qualquer outro plano, são eternos...

E essa eternidade de sentimentos se mostra em cada pequeno ato, em cada pequena letra e linha que destila nossa essência humana e das sinuosidades que sempre marcarão a história de nossas vidas....

Assim, peço a humilde licença de usurpar os sentimentos que construíram esta verdade universal propalada por ti, e fazê-lo também meus; pois me reconheço em cada linha sua como se estivesse frente a um espelho que reflete não apenas as escolhas que me proporcionaram inúmeras alegrias como também as pessoas que deixaram marcas profundas em meu íntimo e que não estão mais ao meu alcance...

Digo-lhe desde já (por favor, não me condenes por ser um tanto ufanista) e nunca me é exaustivo repetir que você já ocupa de forma definitiva um lugar de destaque neste pretório excelso que é a vida, e, sobretudo, nas minhas lembranças e meu ideal do que é a plena felicidade...

Fico imensamente feliz em saber que existem pessoas como você, que são estrelas que brilham reluzente neste céu, às vezes, negro, de nossas escolhas toscas, cheias de ambições e antropofágicas pela própria natureza humana em si, ladeadas pelo mutualismo servil que nos rodea...

Eu tenho um problema sério....eu escrevo demais quando me empolgo :):):)Depois eu comento mais este texto maravilhoso....Parabéns mais uma vez !!!!!!!!!!

Beijão,

Alexandre Casimiro

8:27 PM  
Blogger João Ventura said...

"Na natureza tudo muda. O que não muda se estagna e morre"

— Professor Charles Xavier.

Faço minhas as palavras do professor.

2:08 PM  

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