quarta-feira, janeiro 10, 2007

Rua Dias Ferreira, Leblon, Rio de Janeiro.

Estávamos prontas no hall do apartamento conversando, enquanto esperávamos Marcos nos buscar.
Fomos em cinco. Marcela, eu, Marcos e dois amigos que não conhecíamos.
Na época eu cursava comunicação, dividia apartamento com a minha amiga e freqüentava os melhores lugares da noite carioca.
A rua era Dias Ferreira, no Leblon. Já tinha ido algumas vezes em outros bares por ali, mas nunca aquele.
Ambiente aconchegante, tocava uma música de Diana Krall ao fundo chamada Devil my care. Eu não esperava nada demais daquela noite. Era uma daquelas que se sai sem nada esperar e geralmente acontece algo de inusitado.
Eu estava muito mais atraente que Marcela. Podia sentir que os olhares dos meninos passeavam entre os quadris do ambiente e de relance pousavam sob meu decote. Ela se comportava como sempre... O mesmo jeitinho sem sal, e eu podia sentir pulsando em mim aquele desejo de sempre, o desejo de tentar.
Não de tentar fazendo com que se apaixonassem por mim, simplesmente era aquela vontade inexplicável de tentar com brincadeiras irônicas e apimentadas.
Marcela já estava acostumada com os meus momentos, e apenas observava o jogo dos egos.
- Seja sincera comigo Marcela... – dizia Marcos enquanto bebia um gole do chopp rapidamente -. Você colocou esse decote hoje só porque sabe que não consigo desviar o olhar.
Eu sorri e falei:
- Você diz isso porque não imagina a cor da peça que eu estou por baixo... – cutuquei sabendo que ele tinha fetiche por calcinhas pretas.
- Não vai dizer que é preta... – dizia ele se estremecendo.
O coitado jogava, só que eu conseguia pegar mais pesado. Ele não controlava nem as reações, muito menos a imaginação.
- Ela fica te tentando de bobeira, Marcos. Quem fala demais, você já sabe... – dizia o irmão de Marcos, o André.
- Ah, André. Qual o seu problema? Você tem medo de mulher? É o único que fica se esquivando da conversa... Dorme lá em casa hoje que eu e Marcela resolvemos o seu problema rapidinho! – disse à ele me aproximando.
Marcela caiu na risada, mas não se pronunciou. O André não sabia onde enfiar a cara, ficou vermelho! Ele era tímido, tadinho... Já o André era o mais atirado da história.
Fiquei observando enquanto eles riam e falavam besteiras. Até que o Marcos dava para o gasto, mas eu não estava tão carente assim para passar a noite com ele. A situação era simples. Eu seduzia por seduzir... Tinha me acostumado com aquele papel, conseguia facilitar muitas coisas com isso. Com muitos deles, não evoluía em nada, nem um beijinho, eu me sentia o máximo por saber que eu podia controlar a situação e ter qualquer um daquela mesa.
Exatamente por saber disso, não hesitei em fazer o que fiz. Enquanto eles discutiam sobre o campeonato estadual de futebol e se distraíam supondo a convocação dos jogadores, puxei Marcela até o banheiro.
- Má, preste atenção... Você lembra daquele carinha da faculdade... O Marcelo? Que faz Engenharia de Produção... – perguntei enquanto abotoava o zíper.
- Sei... O que tem? Você viu ele por aí? – perguntou ela eufórica.
- Sim... Ele tá numa mesa a nossa esquerda, mais ao fundo. Você volta pra mesa dos meninos que eu vou até lá falar com ele. Toma, leva a minha bolsa.
Dei uma olhada rápida no espelho, tudo certo. Me aproximei da mesa e ele me notou.
- Laila! Não esperava encontrar você por aqui hoje... – dizia ele me puxando e dando-me um beijo no rosto.
Ele bebia sozinho.
- Está sozinho? – perguntei.
- É, estou... Tinha combinado de encontrar um amigo meu por aqui, mas ele teve um problema... Não me importo de beber sozinho. Você está com alguém aqui?
- Estou com uma amiga... Mas ela está de rolo com um cara por ali... Sabe como é, não quis atrapalhar.
- Então sente aqui comigo, vamos conversar. Você quer beber alguma coisa? Que tal um vinho?
- Ótimo.
Conversa vai, conversa vem. Eu não tinha coragem de arriscar com ele o meu lado de pura sedução. Eu pensava e analisava o que falar, para não errar e ser mal interpretada. Marcelo era diferente. Era requintado, de um humor contido e muito agradável. Não parecia que algum dia iria se referir ao meu decote descaradamente, na verdade, nem olhava para ele.
Eu me sentia completamente atraída. E no fundo eu não conseguia ter a certeza de que ele queria algo ou não comigo.
Por curiosidade, olhei para trás por instantes e não vi mais o pessoal. Nem sinal de Marcela... E ela ainda tinha ido embora com as minhas coisas! Eu fiquei sem um puto no bolso para voltar para casa, a minha esperança era de que Marcelo me deixasse em casa.
- Laila, vem cá – ele falava em meu ouvido. – Não tem problema se não encontrar sua amiga... A gente pode ir lá pra casa, dar continuidade a esse vinho, a essa conversa e quem sabe fazer aquilo que você também quer. Vou te comer todinha, gatinha.
Eu fiquei com muito nojo. Ele só queria me comer! Que tarado! Que maníaco! Agradeci o vinho e fui até a rua para pegar um táxi. Consegui parar apenas um:
- Não levo puta – disse o filho de uma puta.
Fui andando, descalça, pois não agüentava mais o salto. Cheguei em casa, acendi as luzes. Um susto. Vi sapatos de homem espalhado pela sala.
Marcela estava em minha cama com Marcos. Muito bem, tive que dormir na sala, bêbada, com calos nos pés e chupando dedo.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Muita coisa mudou por aqui!
Gostei desse conto..hahahha
Eh isso q da hahah...O.o

=***

12:58 PM  
Blogger João Ventura said...

Caras que não sabem cantar são uma merda...

Gostei das mudanças. Ficou legal.Maneiras as fotos novas também, quero uma...

Beijão

2:57 PM  
Anonymous Anônimo said...

Gostei.

Não conheço essa rua =P

Aquela foto lá de cima parece com uma da Clarice.

[poderia traduzir aquele francosismo ali do lado? ]

3:13 PM  

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