Sobre essa tal de fórmula do amor.
Foto: Nina Maria. 

Estava aqui a pensar sobre o porquê de algumas situações tão comuns na vida das pessoas da contemporaneidade.
Falo sobre os “relacionamentos foguetes”, os *“relacionamentos de bolso”, o porquê de tantas relações com tudo para darem certo, terminarem quando na verdade, ambos sempre buscaram algo intenso e duradouro.
A fórmula do amor como receita farmacêutica, se um dia
Falo sobre os “relacionamentos foguetes”, os *“relacionamentos de bolso”, o porquê de tantas relações com tudo para darem certo, terminarem quando na verdade, ambos sempre buscaram algo intenso e duradouro.
A fórmula do amor como receita farmacêutica, se um dia
encontrada, com certeza será tão cara quanto a cura da Aids ou Câncer, acredito eu.
Acredito que seja algo que venha atormentando a mente das mulheres desta e outras gerações, qual estão cansadas de a cada dia escutarem o anúncio de um novo rompimento. Algumas ficam desiludidas, outras, mesmo com tantas decepções, tentam se renovar e apostam tudo novamente.
“Junho” que o diga... Justamente o mês dos enamorados, a cada semana chegava em meus ouvidos a Notícia. Foi um, dois, mais de cinco rompimentos em menos de um mês.
Curioso é o fato de que no passado, os casamentos eram muito mais duradouros devido ao fator de que o divórcio não era uma opção. Não há como negar que muitas dessas pessoas que ficaram juntas até o fim de suas vidas, passaram um bom tempo sendo infelizes dividindo uma mesma cama.
Hoje, é raro encontrar um casal de quarentões que sejam realmente felizes, que tenham encontrado a sua maneira de fazerem dar certo, mesmo não sendo nada fácil e muito menos parecidos.
Existe algo chamado “subjetividade”. Esse termo, muito estranho ou desconhecido para alguns, deveria ser algo bem mais trabalho por aí. Esse termo fala muito mais de nós, do que imaginamos ou saibamos... Subjetividade significa todo o seu universo, todo o seu ser. A sua forma de pensar, de agir, de sentir, o que lhe é subjetivo, é a sua forma de ver o mundo e existir.
“**Subjetividade é entendida como o espaço de encontro do indivíduo com o mundo social, resultando tanto em marcas singulares na formação do indivíduo quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica e coletiva dos grupos e populações”.
Sendo assim, é óbvio pensar que cada pessoa tem a sua própria subjetividade. É o que também nos faz únicos. Então, a partir desta premissa, mais uma questão entra em jogo em busca da fórmula do amor: Como dois universos completamente diferentes podem dar certo?
É cada vez mais comum vermos situações em que a paixão nos cega de começo, relevamos inúmeros defeitos, nos entregamos, nos envolvemos, e depois de um certo tempo, quando começamos realmente a ver “aonde nos metemos”, começamos a nos questionar se vale a pena.
É claro que em muitas relações, quando a paixão acaba e não é transformada em algo maior, mais verdadeiro, pode-se levar ao fim. Mas o que vemos muito, é que as pessoas não sabem lidar com o universo da outra.
Indo um dia para a faculdade de ônibus, me sentei ao lado de uma mulher que era casada há uns bons anos. Perguntei a fórmula, e ela me disse após algum tempo de silêncio:
- É pesar se sabe lidar com os defeitos da pessoa, se consegue suporta-los.
No momento não fez muito sentido, mas vejo que existe muito fundamento nisso. Depois que os defeitos começam a surgir, as divergências podem aparecer sem que queiramos... E aí se não existe um diálogo, uma “democracia das emoções”, fica cada vez mais difícil a convivência.
A democracia das emoções, é citada por ***Anthony Giddens, em seu livro “Mundo em Descontrole” – o que a globalização está fazendo em nós. A democracia das emoções se estabelece na comunicação emocional, qual “é importante para um bom casamento, mas não o seu fundamento. Para o casal, é. A comunicação é o meio de estabelecer o laço, acima de qualquer outro, e é a principal base para sua continuação”.
“A comunicação emocional está se tornando a chave para tudo que elas envolvem. O relacionamento puro tem uma dinâmica completamente diferente da de tipos mais tradicionais de laços sociais. Depende de processos de confiança ativa – a abertura de si mesmo para o outro. Franqueza é a condição básica da intimidade. O relacionamento puro é implicitamente democrático”.
E faz um paralelo entre a democracia na qual vivemos e podemos também aplicar em nossas vidas...
“Um bom relacionamento é o que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem direitos e obrigações. Num relacionamento assim, cada pessoa tem respeito pela outra e deseja o melhor para ela. O relacionamento puro é baseado na comunidade, de tal modo que compreender o ponto de vista da outra pessoa é essencial. A conversa, o diálogo, é o que basicamente faz o relacionamento funcionar. O relacionamento funciona melhor se as pessoas não escondem muita coisa uma da outra – é preciso haver uma confiança mútua. E a confiança tem de ser TRABALHADA; não pode ser simplesmente PRESSUPOSTA. Finalmente, um bom relacionamento é aquele isento de poder arbitrário, coerção e violência”.
É óbvio que jamais encontraremos alguém que caiba perfeitamente em nossos sonhos, mas tem como acharmos alguém bem semelhante, pesando sempre se vale a pena lutar pelas divergências e nos complementar nas semelhanças, desde que se estejamos dispostos a compreender o universo da outra pessoa.
Nas amizades, existe uma cumplicidade, um carinho, um conhecimento do outro, porém não existe tanta expectativa, qual sem querer, colocamos quando estamos nos relacionando amorosamente. Ainda mais quando compartilhamos situações mais sérias, como filhos e contas a pagar.
Com muitos amigos, devido ao tempo de convivência e conhecimento daquele indivíduo, conseguimos compreender os universos – e defeitos – diferentes, construindo um bom relacionamento. Não deveríamos olhar o nosso parceiro de forma diferente. Pelo contrário. Se o seu próprio parceiro não tem conhecimento de suas sensações e pensamentos, fica difícil compartilhar muitas das outras coisas.
Não temos como negar que até mesmo as relações contemporâneas, por mais clichê que possa parecer, seguem o ritmo capitalista, de uso, rápido e rasteiro. Para não dizer talvez que tenham sido inspirados em esquemas “fast food”. Olhar na agenda telefônica, marcar o horário, algumas questões burocráticas – para alguns que ainda se importam -, e se ‘alimentarem’ mutuamente.
Em meio tudo isso, em tanta velocidade, é muito mais fácil e cômodo apostar em uma próxima pessoa – que não se demora muito para encontrar - , a se adequar, ter paciência e flexibilidade pra compreender os processos de cada um, e lutar por isso. Como serão os próximos casamentos do século XXI? Giddens aposta na “democracia das emoções”, e eu também.
Acredito que seja algo que venha atormentando a mente das mulheres desta e outras gerações, qual estão cansadas de a cada dia escutarem o anúncio de um novo rompimento. Algumas ficam desiludidas, outras, mesmo com tantas decepções, tentam se renovar e apostam tudo novamente.
“Junho” que o diga... Justamente o mês dos enamorados, a cada semana chegava em meus ouvidos a Notícia. Foi um, dois, mais de cinco rompimentos em menos de um mês.
Curioso é o fato de que no passado, os casamentos eram muito mais duradouros devido ao fator de que o divórcio não era uma opção. Não há como negar que muitas dessas pessoas que ficaram juntas até o fim de suas vidas, passaram um bom tempo sendo infelizes dividindo uma mesma cama.
Hoje, é raro encontrar um casal de quarentões que sejam realmente felizes, que tenham encontrado a sua maneira de fazerem dar certo, mesmo não sendo nada fácil e muito menos parecidos.
Existe algo chamado “subjetividade”. Esse termo, muito estranho ou desconhecido para alguns, deveria ser algo bem mais trabalho por aí. Esse termo fala muito mais de nós, do que imaginamos ou saibamos... Subjetividade significa todo o seu universo, todo o seu ser. A sua forma de pensar, de agir, de sentir, o que lhe é subjetivo, é a sua forma de ver o mundo e existir.
“**Subjetividade é entendida como o espaço de encontro do indivíduo com o mundo social, resultando tanto em marcas singulares na formação do indivíduo quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica e coletiva dos grupos e populações”.
Sendo assim, é óbvio pensar que cada pessoa tem a sua própria subjetividade. É o que também nos faz únicos. Então, a partir desta premissa, mais uma questão entra em jogo em busca da fórmula do amor: Como dois universos completamente diferentes podem dar certo?
É cada vez mais comum vermos situações em que a paixão nos cega de começo, relevamos inúmeros defeitos, nos entregamos, nos envolvemos, e depois de um certo tempo, quando começamos realmente a ver “aonde nos metemos”, começamos a nos questionar se vale a pena.
É claro que em muitas relações, quando a paixão acaba e não é transformada em algo maior, mais verdadeiro, pode-se levar ao fim. Mas o que vemos muito, é que as pessoas não sabem lidar com o universo da outra.
Indo um dia para a faculdade de ônibus, me sentei ao lado de uma mulher que era casada há uns bons anos. Perguntei a fórmula, e ela me disse após algum tempo de silêncio:
- É pesar se sabe lidar com os defeitos da pessoa, se consegue suporta-los.
No momento não fez muito sentido, mas vejo que existe muito fundamento nisso. Depois que os defeitos começam a surgir, as divergências podem aparecer sem que queiramos... E aí se não existe um diálogo, uma “democracia das emoções”, fica cada vez mais difícil a convivência.
A democracia das emoções, é citada por ***Anthony Giddens, em seu livro “Mundo em Descontrole” – o que a globalização está fazendo em nós. A democracia das emoções se estabelece na comunicação emocional, qual “é importante para um bom casamento, mas não o seu fundamento. Para o casal, é. A comunicação é o meio de estabelecer o laço, acima de qualquer outro, e é a principal base para sua continuação”.
“A comunicação emocional está se tornando a chave para tudo que elas envolvem. O relacionamento puro tem uma dinâmica completamente diferente da de tipos mais tradicionais de laços sociais. Depende de processos de confiança ativa – a abertura de si mesmo para o outro. Franqueza é a condição básica da intimidade. O relacionamento puro é implicitamente democrático”.
E faz um paralelo entre a democracia na qual vivemos e podemos também aplicar em nossas vidas...
“Um bom relacionamento é o que se estabelece entre iguais, em que cada parte tem direitos e obrigações. Num relacionamento assim, cada pessoa tem respeito pela outra e deseja o melhor para ela. O relacionamento puro é baseado na comunidade, de tal modo que compreender o ponto de vista da outra pessoa é essencial. A conversa, o diálogo, é o que basicamente faz o relacionamento funcionar. O relacionamento funciona melhor se as pessoas não escondem muita coisa uma da outra – é preciso haver uma confiança mútua. E a confiança tem de ser TRABALHADA; não pode ser simplesmente PRESSUPOSTA. Finalmente, um bom relacionamento é aquele isento de poder arbitrário, coerção e violência”.
É óbvio que jamais encontraremos alguém que caiba perfeitamente em nossos sonhos, mas tem como acharmos alguém bem semelhante, pesando sempre se vale a pena lutar pelas divergências e nos complementar nas semelhanças, desde que se estejamos dispostos a compreender o universo da outra pessoa.
Nas amizades, existe uma cumplicidade, um carinho, um conhecimento do outro, porém não existe tanta expectativa, qual sem querer, colocamos quando estamos nos relacionando amorosamente. Ainda mais quando compartilhamos situações mais sérias, como filhos e contas a pagar.
Com muitos amigos, devido ao tempo de convivência e conhecimento daquele indivíduo, conseguimos compreender os universos – e defeitos – diferentes, construindo um bom relacionamento. Não deveríamos olhar o nosso parceiro de forma diferente. Pelo contrário. Se o seu próprio parceiro não tem conhecimento de suas sensações e pensamentos, fica difícil compartilhar muitas das outras coisas.
Não temos como negar que até mesmo as relações contemporâneas, por mais clichê que possa parecer, seguem o ritmo capitalista, de uso, rápido e rasteiro. Para não dizer talvez que tenham sido inspirados em esquemas “fast food”. Olhar na agenda telefônica, marcar o horário, algumas questões burocráticas – para alguns que ainda se importam -, e se ‘alimentarem’ mutuamente.
Em meio tudo isso, em tanta velocidade, é muito mais fácil e cômodo apostar em uma próxima pessoa – que não se demora muito para encontrar - , a se adequar, ter paciência e flexibilidade pra compreender os processos de cada um, e lutar por isso. Como serão os próximos casamentos do século XXI? Giddens aposta na “democracia das emoções”, e eu também.
Citados:
* Zigmunt Bauman, Amores Líquidos - sobre a fragilidade dos laços humanos.
***Anthony Giddens, Mundo em descontrole - o que a globalização está fazendo de nós. RJ, Record, 2003.

