Sopro divino.
Não consigo entender de onde vem essa sede pelo poder, que ultrapassa os séculos e turbulenta a história. Essa ganância e prepotência.
Não consigo entender a raiva, a vingança e o egoísmo, já que na verdade somos tão pequenos e frágeis, ainda não encontramos um jeito para a morte.
E a gente se esquece de que vai morrer, e vive como se o amanhecer e o anoitecer fossem eternos, encadeados um no outro. São rara as vezes que nos damos conta de que qualquer dia pode ser o último suspiro.
E ainda tem gente que prefere humilhar, guardar, se garantir sob o outro. Que garantia temos de existir?
Não entendo essa falta de carinho, essa falta de cuidado, essa falta de profundidade.
Sim, todos nós vamos partir e o destino é incerto, depende do que se crê. Só que ao invés de tentar aproveitar todos os corpos, todos os lugares, todos os segundos em pouco espaço de tempo, talvez fosse mais belo descobrir a essência de um corpo, um espírito, um lugar e sentir a eternidade em um instante, mesmo que em um encontro.
A vida é como um sopro, leve e instantâneo aos nossos olhos. É por isso que eu acho que insisto, e não canso de eternizar.


