Roupas, copos e toalhas.
Senti os olhos pesados e ao mesmo tempo meu corpo numa leveza incrível... Jamais havia me sentido daquela forma. Uma luz muito forte estava sobre minha cabeça, pude ver vultos por todos os lados.
Aos poucos as imagens foram se materializando e notei homens andando de um lado para o outro, com a expressão facial de tristeza e preocupação. Estava em uma sala com muitas pessoas, e essas pareciam não me notar por ali. Levantei-me e pude deslocar-me até o teto! O que estava acontecendo comigo, estaria morta?
Olhei para baixo e consegui ver meu corpo numa maca. Estava pálida, com a expressão tranqüila e descansada. Naquele instante estava sendo operada por quatro médicos. Eu estava morrendo.
Sem perceber, me lembrei de Antônio. Senti uma saudade estranha... Vários flashes foram passando pelos meus olhos sem que eu tivesse o controle.
Quando me dei por mim, estava no nosso apartamento. Fui andando pela casa e notei os copos espalhados por vários lugares... Roupas sujas no chão, toalha molhada em cima do sofá, latas de comida pela pia da cozinha. Pior do que sempre foi... Fui até o quarto, e vi Antônio sentado na beirada da cama com as mãos na cabeça, a barba mal feita, a roupa suja, chorando muito.
Chorava como nunca tinha visto antes... Eu podia ver em volta de seu corpo sua energia fraca, escura e triste.
Me aproximei e fiquei diante dele. Senti-me arrependida de tantas vezes ter brigado pelos copos sujos, pela roupa no chão e pela toalha molhada. Senti-me triste por não ter dormido abraçada com ele na última noite. Dormimos um para cada lado, querendo estar juntos abraçados.
Coloquei minha mão sob sua cabeça e pude ler seus pensamentos. Ele se arrependia de tantas vezes ter me achado chata por reclamar dos copos, das roupas e das toalhas. Ele mesmo poderia ter a noção de que não custava nada dividir as tarefas comigo. Arrependia-se de não ter dito que me amava algumas vezes que fui para o trabalho. Chorava por ter deixado o orgulho dominar e não ter virado durante a noite e me agarrado, mostrando que aquilo tudo era tão pequeno perante o que éramos juntos.
Fechei meus olhos e deixei meu espírito se preencher de amor. Deixei todos os momentos gostosos fluírem soltos dentro de mim. Pude sentir minha energia se propagando pelo ambiente e naturalmente passando para Antônio, consegui que nossa energia fluísse de um para o outro. Ele parou de chorar aos poucos... Sorriu de canto. Sentiu-se grato por me conhecer, e por ter passado todos os momentos comigo.
Antônio foi até o banheiro, tomou um banho e fez barba. Vestiu-se, pegou o carro e foi em direção ao hospital. Sentou ao lado da porta da sala de cirurgia e acreditou que eu iria sair dali viva.
Meu coração ficou aliviado e pleno. Logo depois me lembrei de minha mãe e fui até ela. Minha mãe estava meditando tranqüila. Me aproximei dela aos poucos, a casa estava cheirosa, com flores e bem arrumada, como todas as vezes que eu fui até ela para tomar um café da tarde. E tinha algum tempo que eu não fazia isso. Sentei-me em sua frente, ela sabia que eu estava ali:
- Filha, você está bem?
Eu não respondi com palavras, ela não podia me ouvir, podia não estar preparada para isso. Porém, coloquei minhas mãos sob as suas e pude fazer com que ela sentisse toda a minha tranqüilidade. Ficamos ali durante um bom tempo. Percebi que não tinha medo da morte, que se fosse para ser, tinha certeza de que tinha tentado ser o meu melhor. Estava aliviada e pronta para o que tivesse que ser. Senti meu espírito sendo puxado, tudo foi ficando muito claro e tinha finalmente chegado a hora. Pude ver os médicos decepcionados e sentir meu coração parando aos poucos.
Dei um pulo na cama. Antônio acordou no susto e me abraçou, dizendo que tinha sido somente um sonho ruim. Que ele estava ali.
Olhei diretamente nos seus olhos e não consegui nem mesmo falar o que sonhei. Deitei em seu colo e agradeci por ter sido somente minha imaginação.
Nos dias seguinte, cheguei do trabalho e notei que os copos não estavam sujos, a toalha estava no cesto... Não consegui compreender o que tinha acontecido. Antônio tinha contratado uma empregada?
Olhei para a mesa de jantar, e lá estava ele me esperando com a mesa toda arrumada.Fiquei refletindo por instantes e percebi que o que havia mudado tinha sido a minha postura. Eu havia parado de reclamar de coisas pequenas. Ele de alguma forma sentiu e passou a confluir.
Olhei para baixo e consegui ver meu corpo numa maca. Estava pálida, com a expressão tranqüila e descansada. Naquele instante estava sendo operada por quatro médicos. Eu estava morrendo.
Sem perceber, me lembrei de Antônio. Senti uma saudade estranha... Vários flashes foram passando pelos meus olhos sem que eu tivesse o controle.
Quando me dei por mim, estava no nosso apartamento. Fui andando pela casa e notei os copos espalhados por vários lugares... Roupas sujas no chão, toalha molhada em cima do sofá, latas de comida pela pia da cozinha. Pior do que sempre foi... Fui até o quarto, e vi Antônio sentado na beirada da cama com as mãos na cabeça, a barba mal feita, a roupa suja, chorando muito.
Chorava como nunca tinha visto antes... Eu podia ver em volta de seu corpo sua energia fraca, escura e triste.
Me aproximei e fiquei diante dele. Senti-me arrependida de tantas vezes ter brigado pelos copos sujos, pela roupa no chão e pela toalha molhada. Senti-me triste por não ter dormido abraçada com ele na última noite. Dormimos um para cada lado, querendo estar juntos abraçados.
Coloquei minha mão sob sua cabeça e pude ler seus pensamentos. Ele se arrependia de tantas vezes ter me achado chata por reclamar dos copos, das roupas e das toalhas. Ele mesmo poderia ter a noção de que não custava nada dividir as tarefas comigo. Arrependia-se de não ter dito que me amava algumas vezes que fui para o trabalho. Chorava por ter deixado o orgulho dominar e não ter virado durante a noite e me agarrado, mostrando que aquilo tudo era tão pequeno perante o que éramos juntos.
Fechei meus olhos e deixei meu espírito se preencher de amor. Deixei todos os momentos gostosos fluírem soltos dentro de mim. Pude sentir minha energia se propagando pelo ambiente e naturalmente passando para Antônio, consegui que nossa energia fluísse de um para o outro. Ele parou de chorar aos poucos... Sorriu de canto. Sentiu-se grato por me conhecer, e por ter passado todos os momentos comigo.
Antônio foi até o banheiro, tomou um banho e fez barba. Vestiu-se, pegou o carro e foi em direção ao hospital. Sentou ao lado da porta da sala de cirurgia e acreditou que eu iria sair dali viva.
Meu coração ficou aliviado e pleno. Logo depois me lembrei de minha mãe e fui até ela. Minha mãe estava meditando tranqüila. Me aproximei dela aos poucos, a casa estava cheirosa, com flores e bem arrumada, como todas as vezes que eu fui até ela para tomar um café da tarde. E tinha algum tempo que eu não fazia isso. Sentei-me em sua frente, ela sabia que eu estava ali:
- Filha, você está bem?
Eu não respondi com palavras, ela não podia me ouvir, podia não estar preparada para isso. Porém, coloquei minhas mãos sob as suas e pude fazer com que ela sentisse toda a minha tranqüilidade. Ficamos ali durante um bom tempo. Percebi que não tinha medo da morte, que se fosse para ser, tinha certeza de que tinha tentado ser o meu melhor. Estava aliviada e pronta para o que tivesse que ser. Senti meu espírito sendo puxado, tudo foi ficando muito claro e tinha finalmente chegado a hora. Pude ver os médicos decepcionados e sentir meu coração parando aos poucos.
Dei um pulo na cama. Antônio acordou no susto e me abraçou, dizendo que tinha sido somente um sonho ruim. Que ele estava ali.
Olhei diretamente nos seus olhos e não consegui nem mesmo falar o que sonhei. Deitei em seu colo e agradeci por ter sido somente minha imaginação.
Nos dias seguinte, cheguei do trabalho e notei que os copos não estavam sujos, a toalha estava no cesto... Não consegui compreender o que tinha acontecido. Antônio tinha contratado uma empregada?
Olhei para a mesa de jantar, e lá estava ele me esperando com a mesa toda arrumada.Fiquei refletindo por instantes e percebi que o que havia mudado tinha sido a minha postura. Eu havia parado de reclamar de coisas pequenas. Ele de alguma forma sentiu e passou a confluir.
