Alice e o palhaço.

A menina bonita, da saia rodada e cabelos soltos encaracolados usava uma sapatilha cor de rosa, combinando com a fita do cabelo. Estava sentada na primeira fileira. Parecia que nunca tinha ido ao circo... Seus olhos não tinham um foco certo. Se perdia entre os malabares e a bailarina, que encantava a criançada.
Logo mais, entrei eu, fazendo algumas palhaçadas... Não era todo dia que se conseguia tirar boas risadas da moçada. Ser palhaço não era fácil. De um instante para outro, transformar o humor. Ora bonzinho, ora violão... Ora muitas risadas e ter que cair de bumbum no chão!
E a menina, toda curiosa... ficava tentando enxergar atrás dessa roupa. Da maquiagem e do nariz vermelho. O que o brotinho queria ver? Já que eu era tão feio...
Mais um espetáculo terminou. As palmas assim como começaram inusitadamente, deixaram o silêncio que anunciou o final. Fui me trocar e ao entrar no camarim, a menina esperava por mim.
- Senhor palhaço... Sem querer ser palhaça, vim até aqui para dizer que gostei de suas palhaçadas. - Era a menina bonita, da saia rodada e fita no cabelo.
Eu fiquei com cara de taxo. O palhaço não esperava.
- Ora, ora... mocinha, pro Palhaço Zé, é um prazer recebê-la.
- Tem trabalho aí no circo? - perguntou ela serelepe.
- Como assim, menina?
- Sei cozinhar, passar, sei coser algumas coisinhas também. Não quero ficar aqui... Quero poder rir todos os dias e conhecer muitos lugares dando alegria para as pessoas! - ela abria os braços enquanto falava como se pudesse alcançar o mundo.
- A vida aqui não parece ser má...
- Mas aposto com você que a do circo é muito mais bonita! - ela retrucava.
- Nem a vida do palhaço é feita só de alegrias.
Ela pensou por instantes. Deveria ter se lembrado de sua família. Chegou perto de mim, me deu um beijo muito estalado na ponta do nariz. Do nariz? Parecia que queria descer para a boca. Que coisa mais louca... Uma menina de no máximo dezessete anos, e eu, um palhaço de trinta e poucos anos...
Logo mais, entrei eu, fazendo algumas palhaçadas... Não era todo dia que se conseguia tirar boas risadas da moçada. Ser palhaço não era fácil. De um instante para outro, transformar o humor. Ora bonzinho, ora violão... Ora muitas risadas e ter que cair de bumbum no chão!
E a menina, toda curiosa... ficava tentando enxergar atrás dessa roupa. Da maquiagem e do nariz vermelho. O que o brotinho queria ver? Já que eu era tão feio...
Mais um espetáculo terminou. As palmas assim como começaram inusitadamente, deixaram o silêncio que anunciou o final. Fui me trocar e ao entrar no camarim, a menina esperava por mim.
- Senhor palhaço... Sem querer ser palhaça, vim até aqui para dizer que gostei de suas palhaçadas. - Era a menina bonita, da saia rodada e fita no cabelo.
Eu fiquei com cara de taxo. O palhaço não esperava.
- Ora, ora... mocinha, pro Palhaço Zé, é um prazer recebê-la.
- Tem trabalho aí no circo? - perguntou ela serelepe.
- Como assim, menina?
- Sei cozinhar, passar, sei coser algumas coisinhas também. Não quero ficar aqui... Quero poder rir todos os dias e conhecer muitos lugares dando alegria para as pessoas! - ela abria os braços enquanto falava como se pudesse alcançar o mundo.
- A vida aqui não parece ser má...
- Mas aposto com você que a do circo é muito mais bonita! - ela retrucava.
- Nem a vida do palhaço é feita só de alegrias.
Ela pensou por instantes. Deveria ter se lembrado de sua família. Chegou perto de mim, me deu um beijo muito estalado na ponta do nariz. Do nariz? Parecia que queria descer para a boca. Que coisa mais louca... Uma menina de no máximo dezessete anos, e eu, um palhaço de trinta e poucos anos...
Nunca mais a vi. Voltei naquela cidade de interior depois de uns cinco anos, e não a encontrei também. Tentei procurá-la, perguntei em alguns lugares, fazia muito tempo que não a viam. Eu perdi a graça. Perdi um pouco do sentido de alegrar.
Outro dia, a bailarina torceu o pé em um espetáculo lá na capital, e uma boneca foi a substituir. Boneca toda articulada, como aquelas que surgem de pequenas mal
as... Boneca de sapatilha vermelha e fita no cabelo. O pé parava na cabeça, os braços mais pareciam molas! A boneca encontrou o seu caminho e a sua felicidade da forma mais simples.
Era a menina... A minha menina que já era mulher. Se tornou boneca por sonho e encontrou o seu palhaço, sem querer.
Outro dia, a bailarina torceu o pé em um espetáculo lá na capital, e uma boneca foi a substituir. Boneca toda articulada, como aquelas que surgem de pequenas mal
as... Boneca de sapatilha vermelha e fita no cabelo. O pé parava na cabeça, os braços mais pareciam molas! A boneca encontrou o seu caminho e a sua felicidade da forma mais simples.Era a menina... A minha menina que já era mulher. Se tornou boneca por sonho e encontrou o seu palhaço, sem querer.
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Inspirado em dois espíritos de luz que conheci no Sana - RJ. Meu eterno palhaço e minha boneca serelepe!
2 Comments:
Encontrar o nosso palhaço nem sempre é tão descomplicado... Muitas vezes nos exige esforço e sacrifícios...
Entretanto, é a necessidade da vida!
Nina, adorei o texto!!!
Vc mandando muito bem, pra variar...
Beijos!!!
ta manero ninocaaaaaaaaaaaaaa e o outro blog? =/ bjao
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